Mantenha os sistemas e aplicações atualizados Manter os sistemas operativos e as aplicações atualizados é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco de ciberataques. Muitas das ameaças informáticas exploram vulnerabilidades já conhecidas em sistemas e aplicações para os quais existem atualizações de segurança disponíveis.
Uma aplicação ou sistema desatualizado pode, por isso, representar uma porta de entrada para um atacante. Quanto maior for o número de sistemas vulneráveis numa organização, maior será a sua superfície de ataque.
As organizações devem também garantir que as soluções de segurança, como antivírus e sistemas de proteção dos equipamentos, se encontram instaladas, ativas e devidamente atualizadas.
Tenha um plano de gestão de atualizações
A atualização dos sistemas não deve depender de ações pontuais ou da intervenção manual de um utilizador. As organizações devem estabelecer um processo formal de gestão de atualizações (Patch Management), integrado na sua estratégia de cibersegurança e na gestão de vulnerabilidades.
Esse processo deve incluir, entre outras, as seguintes atividades:
- manter um inventário atualizado dos sistemas, equipamentos e aplicações;
- identificar regularmente novas vulnerabilidades e atualizações de segurança;
- avaliar a criticidade e o risco associado a cada vulnerabilidade;
- definir prioridades e prazos para a instalação das atualizações;
- testar as atualizações sempre que necessário antes da sua implementação;
- instalar as atualizações de forma controlada e documentada;
- verificar posteriormente se foram corretamente aplicadas;
- acompanhar os sistemas que permanecem desatualizados e definir medidas alternativas quando uma atualização não possa ser instalada.
As vulnerabilidades críticas devem ser tratadas com prioridade, sobretudo quando existe conhecimento de que estão a ser exploradas ou quando podem comprometer sistemas ou informação crítica para a organização.
Este processo deve ser revisto periodicamente, utilizando indicadores que permitam à organização saber, por exemplo, que percentagem dos seus sistemas está atualizada e quantos equipamentos permanecem vulneráveis.
Adote referências reconhecidas
A implementação deste processo pode ser suportada por boas práticas e normas internacionalmente reconhecidas, nomeadamente a ISO/IEC 27001, a ISO/IEC 27002, o NIST SP 800-40 e os CIS Controls.
Para as entidades portuguesas abrangidas pelo enquadramento da Diretiva NIS2 e respetiva legislação nacional, a gestão de vulnerabilidades e a adoção de medidas adequadas de segurança devem também ser consideradas no âmbito das suas obrigações de cibersegurança.
A adoção destas referências permite transformar a atualização de sistemas de uma tarefa meramente técnica num processo estruturado, baseado no risco e integrado na gestão de cibersegurança da organização.
Evite utilizar contas com privilégios de administrador
Outra medida importante é não utilizar contas com privilégios de administrador para as tarefas do dia a dia, como navegar na Internet, consultar o email ou utilizar aplicações.
Muitos computadores estão configurados para dar ao utilizador um elevado nível de controlo sobre o sistema. Embora esta configuração possa ser conveniente, também aumenta o impacto de uma eventual infeção.
Se um vírus ou outro tipo de malware conseguir entrar no computador através de uma aplicação, de um email ou de um site comprometido, os privilégios de administrador podem permitir-lhe realizar alterações significativas no sistema.
Sempre que possível, os utilizadores devem trabalhar com contas de acesso normal e utilizar privilégios de administrador apenas quando estes forem efetivamente necessários.
A atualização é um processo contínuo
A cibersegurança não se resolve com uma atualização ocasional. Identificar vulnerabilidades, avaliar o risco, aplicar atualizações e verificar o estado dos sistemas deve ser um processo contínuo.
Uma organização que conhece os seus sistemas, acompanha as vulnerabilidades e mantém as suas aplicações atualizadas reduz significativamente a probabilidade de um incidente de segurança e aumenta a sua capacidade de resposta perante novas ameaças.